Desde pequeno gosto de fantasia, ficção científica e terror. “Amazing Stories”, “Além da Imaginação”, “Arquivo X”, filmes, livros e gibis do gênero. O mais bacana em “Amazing Stories” e “Além da Imaginação” era a descontinuidade dos episódios, todos curtos, cheios de fantasia e nenhuma explicação sobre como as coisas aconteceram, deixando o clima de mistério mesmo depois do final do episódio.
O obstáculo era, principalmente no tocante a séries, depender da boa vontade das redes de televisão aberta e, posteriormente, a cabo, já que não era costume o lançamento de séries em VHS, como há hoje em DVD. Por isso somente agora assisti às duas temporadas da série Twin Peaks. Lembrava vagamente de uma ou outra imagem dela quando foi exibida por aqui, e a única coisa que lembrava da trama é que tinha a ver com a morte de uma mulher chamada Laura Palmer.
Durante a primeira temporada (um piloto de 1h40 min e sete episódios de 40 min) e alguns episódios da segunda, a trama gira em torno do misterioso assassinato de Laura Palmer, com algumas pitadas de fantasia. Logo após a descoberta do assassino a série entra em um pequeno período de ostracismo, com subtramas que nada acrescentam à principal – agora as entidades Mike e Bob – dando origem a episódios dispensáveis. Depois, mais perto do fim, é inserida uma nova trama paralela à principal: Windom Earle, ex-parceiro do Agente Cooper, e não se sabe se ele está ali para se vingar ou por outros motivos – despois descobrimos que é um pouco dos dois.
Algo que curti bastante foram os espíritos, grosseiramente falando. Quem é fã de Stephen King e já leu “Desespero” ou “Os Justiceiros” sabe quem é Tak, uma entidade que toma posse dos seres vivos e não existe no mundo físico. Vem para nossa dimensão através de um portal que, no caso de Desespero, estava na Mina do China. Longa história. Apesar do modus operandi ligeiramente diferente, achei a semelhança assustadora e esperava que estas entidades tivessem maior destaque, e não aparecessem apenas nos momentos chave. Parece que o filme “Twin Peaks: Fire, walk with me” fala um pouco mais deles. O Black Lodge, uma espécie de inferno na mitologia cristã, também me decepcionou: imaginava um lugar bem mais cruel e assustador.
Incomodou bastante a falta de continuidade em algumas sequencias. Num momento Donna briga feio com seus pais, no outro desfila sorridente no concurso Miss Twin Peaks, sendo seu pai o mestre de cerimônias. A falta de desfecho em algumas histórias e/ou acontecimentos também é decepcionante. Momentos que parecem ter relação com a trama mas sequer são mencionados em outros momentos. O homem de um braço desaparece sem mais nem menos, a alma de Josie fica trancada em um criado mudo, James some do mapa (foi tarde) após numa desnecessária subtrama.
No entanto, gostei bastante do final da série. Dá margem para uma terceira temporada, embora não houvesse planos, pelo que li. Também li que a segunda correu o risco de ser cancelada antes do fim. O destino do agente Cooper é incerto: ou foi possuído por Bob, ou quem voltou do Black Lodge foi seu Doppelgänger, o “Cooper do mal” – o policial Hawk comenta que no Black Lodge, em oposição ao White Lodge, há uma versão maléfica de todos nós.


