Arquivo do mês: agosto 2008

O interesse pelo passado e pela história ainda é válido nos dias de hoje?

Resposta rápida e sem explicação: Sim.

Resposta curta: Sim, pois nunca chegaremos à “verdade absoluta” dos acontecimentos históricos, pois a exatidão dos fatos não é possível. O conhecimento nunca chegará a um ponto satisfatório em que não será necessária a continuação da pesquisa, pois novos fatos sempre serão descobertos.

Resposta um pouco menos curta: Sim, pois o interesse pelo passado significa o interesse pela nossa origem, como seres humanos. E tão importante quanto descobrir como se deu a origem do universo, é desvendar como a evolução humana aconteceu e como se encaminhou até chegarmos no presente. O historiador não é mero relator dos fatos passados, cabe a ele interpretar as fontes, utilizando metodologias amplamente aceitas pela comunidade científica, para construir uma parte do muro que seria aquele acontecimento. Cada pesquisador contribui com parte do conhecimento, e a partir da análise de cada pedacinho temos um olhar mais amplo sobre determinado acontecimento. Por exemplo, um estudo recente sobre a revolução francesa não necessariamente descarta um estudo anterior, ambos poderiam complementar-se para formar uma visão mais completa sobre o fato.

Portanto, não só é válido o interesse pelo passado nos dias de hoje como é necessário.


Michael Phelps usa doping!

É o que sugere Alexei Koudinov, do Doping Journal. De acordo com uma reportagem do Terra,

Ouvir música aumenta a capacidade de oxigênio no sangue e melhora a performance do atleta, segundo o Instituto Max Planck para Cognição Humana e Ciências do Cérebro, em Leipizig, na Alemanha. E isso é ilegal, atestam alguns especialistas.

Michael Phelps ficando doidão

Michael Phelps ficando doidão (gettyimages.com)

Na minha opinião de total desconhecedor das normas anti-doping, será que estas mudanças causadas por algo externo — e não uma substância consumida pelo atleta — que não causa problemas de saúde, é suficiente para caracterizar o doping?

Porém, pelo que tenho conferido, quando um atleta acostumado a competir em altitudes extremas — onde a concentração de oxigênio no ar é mais baixa — compete em uma altitude mais baixa — onde a concentração é maior — a oxigenação dele aumenta, e ele tem um maior rendimento. Alguém lembra do pique do Guerrón no segundo tempo da prorrogação na final da Libertadores?

E aí, como é que fica?


Olimpíadas, bronze e outros causos

Lendo algumas coisas sobre o desempenho dos atletas brasileiros em Pequim, não posso deixar de comentar a comoção nacional que está sendo feita sobre o fato dos atletas não possuírem mais medalhas e pela festa que fazem com o bronze.

O post que mais me chamou a atenção foi o do Cardoso, que escreveu sobre o fato do Brasil estar atrás do ranking de países como o Zimbábue e outros menos desenvolvidos que nós, e que o esporte olímpico brasileiro não evolui. Concordando em partes com o post, não concordo com a generalização, acho leviano colocar todos os esportes olímpicos no mesmo saco.

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O cigarro e os eventos

Quando escrevi sobre a relação das propagandas em televisão dos cigarros e seu público alvo, tinha pensado também sobre o marketing da indústria tabagista em eventos e competições esportivas, mas ficaria muita coisa para um post só, e resolvi deixar para depois.

Bom, seguindo a lógica dos comerciais de televisão, quando o marketing era feito patrocinando algum evento, o evento era voltado ao mesmo público-alvo, lógico. É o caso do Hollywood Rock, do Free Jazz Festival e do Carlton Dance Festival, voltados, respectivamente, para o jovem ativo, o jovem independente e o adulto refinado.

Se no meio cultural o cigarro era bastante presente, e cada marca voltada ao seu público alvo, no esporte não era diferente. Cada marca privilegiava o esporte que melhor atendia ao seu apelo. Citando novamente o Hollywood, ele era freqüentemente patrocinador de esportes radicais, os mesmos veiculados em seus comerciais. O cigarro Marlboro foi patrocinador por muito tempo no automobilismo, esporte associado à virilidade.

E, mais uma vez, o marketing visava criar um imaginário alheio ao produto, associando cada marca com o evento ou com o produto do evento. Quem não lembra da McLaren vermelha e branca de Ayrton Senna? Ou do carrinho amarelo da Camel?


“On the road” e a juventude americana no pós-guerra

road
Get your motor runnin’, head out on the highway…

Apesar de não ter sido o primeiro livro publicado de Jack Kerouac, On the road (“Pé na estrada” aqui no Brasil) foi o que deslanchou sua carreira e levou a Geração Beat ao “estrelato”. Mas por que este livro se tornou um marco para a juventude da época? Vejamos.

Quem foi Jack Kerouac?

Nasceu com o nome Jean-Louis Lebris de Kerouac em 12 de março de 1922, descendente de imigrantes canadenses que foram tentar a sorte nos Estados Unidos, na cidade de Lowell, Massassuchets. Morreu jovem aos 47 anos de idade, em 1969, devido aos problemas ocasionados pelo consumo excesivo de álcool. Alguns dizem que foi devido ao hábito de beber vinhos ruins.

Teve seu primeiro livro publicado em 1951, chamado The Town and the City, obtendo algumas resenhas a seu favor, mas vendendo pouco. Em 1951 escreveu o futuramente aclamado On the road, sobre suas viagens no final da década de 1940 cruzando os Estados Unidos com seu amigo Neal Cassady e encontrando e reencontrando amigos, a maioria autores da posteriormente chamada Geração Beat.

Foi Kerouac, inclusive, quem cunhou o termo Geração Beat. Foi considerado como o porta-voz desta geração, a seu contra-gosto.

Por que escreveu On the road?

Para entendermos por que ele escreveu este livro devemos prestar atenção ao que acontecia na sociedade americana. Os famosos american dream, o sonho americano, e o american way of life tornam-se mais evidentes após a segunda-guerra mundial. O american dream é a crença na liberdade de que cada americano pode vencer na vida com trabalho duro, e o american way é marcado fortemente pelo consumismo e o individualismo.

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