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Minhas impressões sobre o Meca Festival

Ano passado a Jéssica me convidou pra ir num tal de Meca Festival, que rolaria dia 29 de janeiro na praia de Atlântida no Rio Grande do Sul. Disse que as bandas confirmadas eram Two Door Cinema Club e Vampire Weekend. Por conhecer Vampire Weekend, saber que seria um festival alternativo e pelo preço muito em conta do ingresso, resolvi topar.

Já nos dias seguintes fui atrás dos álbuns mais recentes das bandas pra me inteirar do som deles. Confesso que faz um bom tempo que ando por fora do rock alternativo/indie, desde que uma preguiça imensa se apossou de mim para saber das bandas e sons novos. Curti o que descobri e fui atrás de outros sons. Agora já ansioso pelo Festival que se aproximava.

O festival foi quase perfeito, com todos os elementos must be em eventos deste tipo: bem organizado (apesar da cerveja quente), pouca aglomeração, local tranquilo, os shows não atrasavam, ou atrasavam pouco, acabou cedo (já passei do tempo de virar a madrugada em shows e/ou festivais) e, acima de tudo, “música muito boa, companhia melhor ainda”!

A ordem dos shows foi essa:

  1. Wannabe Jalva
  2. Rosie and Me
  3. Copacabana Club
  4. Two Door Cinema Club
  5. Vampire Weekend

Chegamos por volta das 19h com a banda Rosie & Me tocando, logo após foi a vez de Copacabana Club. Apesar de serem bandas boas, à medida que as músicas iam rolando, a expectativa aumentava para os dois shows principais.

O show do Two Door Cinema Club foi muito acima do que eu esperava. Músicas dançantes, bem agitado e passou muito rápido! Da primeira música até a final parece que foram só uns cinco minutos. Fazia tempo que uma banda não me deixava tão empolgado com sua música. Os dias seguintes ao show foram regados a TDCC: no carro, no celular, no computador. Inclusive agora.

Já Vampire Weekend, apesar de ter sido um ótimo show, ficou ofuscado, na minha opinião, pelo show anterior, que mandou muito mais. Além de tocarem músicas do último álbum tocaram algumas de outros álbuns, que não conheço.

Enfim, pra mim o principal desse festival é que me deixou com um gosto de quero mais e fez despertar em mim algo que  estava adormecido: o gosto por conhecer novos sons e a disposição para frequentar eventos musicais.

Fotos


Yeah, yeah, yeah, that’s rock ‘n’ roll

Its been a long time since I rock and rolled,
Its been a long time since I did the stroll.
Ooh, let me get it back, let me get it back,
Let me get it back, baby, where I come from.
(Led Zeppelin, Rock and Roll)

Bom, apesar de minha relutância… por que não? Um pequeno top 3 das músicas mais rock ‘n’ roll na minha opinião. O motivo de serem três é que se eu escolhesse mais do que isso o post não sairia, pois nunca me decidiria pelas demais, já que estas três logo me vêm a cabeça sempre que procuro definir o termo “música rock”. Pensar demais estraga, nesse caso.

Assim que ouvi Back in Black, do AC/DC, minha vida mudou. Hahaha, brincadeira, mas já senti de cara que seria uma música divisora de águas. Quando ouvi pensei: “diacho, isso é rock”. Independente de Chuck Berry, Elvis, Beatles e Rolling Stones, essa é uma música que, na minha opinião, é rock puro.

Na minha época de andanças pelos sebos de Floripa comprando vinis, encontrei o IV, do Led Zeppelin. Quando ouvi a primeira música do Lado A, Black Dog, pensei: “caraaaaaalho”. Mais nada a declarar.

Por indicação de um amigo, na época em que o napster ainda era vivo, “peguei emprestadas” algumas músicas da ex-banda do Eric Clapton, Cream. Um música ficou, praticamente sozinha, no meu playlist por algumas semanas: White Room.

Recapitulando: se um alienígena me perguntasse o que seria o rock, eu só lhe mostraria estas três músicas:

  1. Back in Black – AC/DC
  2. Black Dog – Led Zeppelin
  3. White Room – Cream

Para ouvir as três em sequência, clique aqui.

ou

Clique na bagacinha abaixo, chamada “continue lendo”, para ouvi-las e “vê-las”.

Correndo o risco de ficar no vácuo, pergunto aos leitores: quais músicas vocês escalariam no lugar das minhas?

P.S.: Post escrito em 14min09s, o tempo corrido das três músicas.

P.P.S.: O P.S. acima é uma mentira deslavada. É só para dar uma romanceada, sugerir uma certa mística do rock ‘n’ roll.

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MP3, liberdade da informação e arte interativa

Da série “Textos que comecei a escrever há alguns meses mas só agora tive saco para terminar”.

Li no blog de Gilberto Jr. um post em que ele comenta o sucesso do filme “Tropa de elite”, e como a pirataria ajudou nesse sucesso. Não sei se o filme teve comerciais com o trailer dele na televisão, como a maioria dos filmes, mas, pelo acompanhei, não precisava. A pirataria foi a melhor forma de divulgação que o filme poderia ter tido, pois, além de colocar o filme na “boca do povo”, levou-o a ser notícia em muitos meios de comunicação, possibilitanto a muitas pessoas conhecerem o filme.

Acho fantástica a interatividade e a cooperatividade que a Internet proporciona. Mas esta é uma questão complicada. Se por um lado sou a favor da liberdade da informação, por outro lado há pessoas que abdicam de um trabalho formal e dedicam esforço, tempo e, alguns, dinheiro em cima de um projeto com a finalidade de ter uma renda em cima daquilo, e, no final, esse trabalho acaba sendo distribuído livremente… nunca soube de alguém que tenha falido por causa da pirataria, no entanto, não é justificativa. Alguns praticam a pirataria como filosofia: é a liberdade da informação — neste caso o termo “pirataria” soa pejorativo —, mas a maioria a pratica calcada na Lei de Gérson. Talvez isso seduza as pessoas, sei lá. Por outro lado, a pirataria acaba se tornando um meio de divulgação do trabalho de um artista. Usando um exemplo pessoal, foi o que aconteceu comigo e a banda Morphine, em 2003. Após baixar algumas músicas, resolvi comprar todos os álbuns da banda. Além disso, quando meu carro foi arrombado, levaram-me um dos CDs da banda. Comprei-o novamente.

Mas não dá para discutir liberdade de informação sem discutir o próprio conceito de propriedade, e o que esse conceito engloba. Discutindo-se isso pode-se definir o que é pirataria e o que é informação livremente distribuída. Essa discussão toda ocorre porque nosso modelo econômico não suporta algo do tipo “ter” sem pagar. É, até certo ponto, um anacronismo dentro do capitalismo, pois é um modelo centrado — em linhas gerais, ressalvadas as especificidades — na propriedade privada e no capital. Mas quando o conceito de propriedade chega a itens imateriais, como definir o que é propriedade? Quando se compra um CD de música está se pagando pela mídia ou pelo conteúdo dela? As ondas sonoras contidas naquele material podem ser consideradas propriedade de alguém? Ou é a manipulação das ondas sonoras que são propriedade? Ou, ainda, paga-se pelo trabalho que aquele artista teve em manipular o som da maneira que fez, ou seja, a mão de obra? Se assim for, quando se copia a música sem pagar, não se está infringindo muito mais as leis trabalhistas do que qualquer outro dispositivo de afronta à propriedade?

Claro que, para fins didáticos, ignorei propositadamente o conceito de propriedade intelectual, algo que parece ser natural — se fulano teve a idéia, ela é dele. Mas, se for se pensar a fundo, o termo “idéia”, ou a elaboração de uma idéia, é algo passível de ser posse de alguém?

O fenômeno das músicas no formato mp3 e músicas online não significa apenas que achamos o CD caro demais, mas, também, demonstra que estamos nos cansando do formato atual de distribuição. Não é à toa que a iTunes Store faz tanto sucesso. Em 1999 a banda Public Enemycaso do disponibilizou um álbum para venda online, e acredito que a tendência seja essa, com exemplos cada vez mais “vanguardistas”, como o Radiohead, em 2007. O músico Beck foi outro que procurou inovar neste sentido, lançando o álbum semi-interativo The information. A começar pela capa, que vem em branco e, com os adesivos que acompanham o CD, cada ouvinte pode fazer a sua própria art cover. Na página de vendas do álbum no site da Amazon há disponíveis várias art covers, feitas por quem o comprou — a loja criou um espaço especialmente para isto. Achei a idéia da montagem da capa fantástica, pois cada capa conterá, consciente ou inconscientemente, reflexos de como a música afetou cada ouvinte, logo, não haverá dois álbuns com a mesma arte na capa. E, no que toca às músicas, segundo um artigo do portal G1, elas foram gravadas de uma maneira que permite ao ouvinte remixá-las — desde que tenha conhecimento em softwares de edição de som, lógico — como ocorreu com as do álbum anterior a esse, Guero. Segundo o mesmo artigo, o próprio Beck incentiva estes remixes por parte dos ouvintes.

O cinema é uma arte que pode comportar muito bem esta tendência. Com os hardwares de computador cada vez mais acessíveis, quem sabe num futuro próximo o espectador possa remontar o filme, editá-lo da maneira que achar melhor. Esta tendência de interatividade do público com a arte não é recente. Se não me engano, é uma tendência que surge com a arte pós-moderna, na década de sessenta. Na época do lançamento do filme “A idade da terra”, em 1980, Glauber Rocha dizia que seu filme poderia ser exibido com os rolos projetados em ordem aleatória (cada rolo de filme tem uma duração de cerca de quinze minutos), e ainda assim o filme faria sentido. O que é isto senão uma remontagem do filme? A idéia pode não ser atual, mas hoje está muito mais próxima do apreciador consumidor de arte. No caso do cinema, a remontagem, hoje, já pode ser feita por qualquer pessoa que tenha um computador com um hardware mínimo e o DVD do filme. Ou seja, recurso técnico já há.

Nesse sentido a liberdade de informação e a interatividade na arte andam de mãos dadas, pois quanto mais a informação for livre, maior será a possibilidade de interatividade com o público, transformando a obra de arte, que deixará de ser expressão individual para ser expressão coletiva. A grosso modo, é a arte open source. :-P


Los Hermanos

Enquanto a banda Los Hermanos entra em recesso, comentarei um pouco sobre a transição do primeiro para o segundo álbum da banda, pois ouvi-os bastante nos últimos dias. Lembro daquele oba-obra todo quando o single Ana Júlia estourou nas rádios: eles tocaram e se apresentaram em tudo quanto é lugar. Mas aí o segundo single, Primavera, foi lançado nas rádios e muita gente já deu uma torcidinha de nariz para a banda. Pois todo mundo queria musiquinha alegre no estilo de Ana Júlia. Muita gente desdenhava dizendo que era um pagode em forma de rock — referindo-se às letras dor-de-cotovelo. Mas não há nem o que se comparar, as letras deles são bem mais profundas e elaboradas, muito mais poéticas e com um vocabulário muito mais rico, sem ser pedante.

Então eles lançaram o segundo álbum, Bloco do eu sozinho, e aí muita gente realmente se desapontou com a banda. Inclusive a própria gravadora, que lançou o álbum mesmo assim. Mas o Bloco surpreendeu muita gente que não tinha dado a devida atenção à eles no primeiro álbum. Eles vieram com letras mais elaboradas e com um som bem mais trabalhado. Desvencilharam-se daquele rótulo de bandinha de um hit só e se firmaram como músicos sérios, respeitadores da música. Não precisaram se transformar em rockstars fabricados nem participar de propagandas de refrigerante para fazer sucesso. Esse segundo álbum serviu para filtrar aqueles fãs fogo de palha dos realmente fãs. Ficaram os que realmente apreciavam o som original que a banda fez.

O segredo do sucesso deles foi fazer o que muita banda de rock deveria fazer: evoluir. Em cada álbum é muito fácil perceber essa evolução no som e na concepção musical deles. Na minha singela opinião, Los Hermanos foi a banda de rock mais inovadora no cenário musical brasileiro na década de 1990.

No site oficial deles é possível ouvir todas as músicas de todos os álbuns da banda, é só clicar em música e depois escolher o álbum.


40 anos de Sgt. Pepper’s

Encontrei no YouTube uns vídeos de um especial feito pela Rádio BBC 2Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos sobre o aniversário de 40 anos do lançamento do álbum Beatles. O especial consiste em bandas atuais fazendo covers de músicas do álbum. Só que são covers que tentam se aproximar ao máximo da música original. E são bem sucedidos nisso, os intrumentos, o ritmo e a velocidade da música estão muito semelhantes. O áudio do especial foi gravado pelo mesmo engenheiro de som que gravou o áudio original, quarenta anos atrás, Geoff Emerick, usando o mesmo equipamento que usou na gravação original, uma mesa de som analógica com quatro canais.

O especial está separado em quatro vídeos e vou colocar apenas os links para o blog não ficar muito carregado. No primeiro Brian Adams toca a música de abertura, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, e depois Razorlight toca With a little help from my friends. No segundo Kaiser Chiefs interpreta Getting better e The Fray, Fixing a hole. No terceiro vídeo The Magic Numbers toca She’s leaving home e Travis, Lovely Rita. E, para fechar, no quarto vídeo Stereophonics toca Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise).

Vale a pena.


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