Arquivo da tag: sociedade

O que você faria se só lhe restasse um dia?

Re-assistindo ao filme “Impacto profundo” e prestando atenção ao comportamento das pessoas diante da acachapante constação do fim do mundo, pensei que apesar de muita gente dizer que faria “x” ou “y” caso descobrisse que só restasse mais um dia de vida, seria difícil que estas coisas fossem, de fato, realizadas – digo as mais radicais, aquelas em que não há volta. Penso isso porque as pessoas, no fundo, diante das maiores tragédias, sempre têm esperança de que algo vai acontecer para reverter a situação: no fim tudo dará certo e o mundo não vai acabar.


O aborto e a anencefalia do feto

Acompanhando o debate na Suprema Cor… desculpem, país errado, no Supremo Tribunal Federal sobre o aborto em caso de anencefalia do feto (DO FETO!), ouvindo os vários “especialistas” (depois de religiosos sendo chamados de especialistas e de parlamentares tendo rezado o Pai-nosso no Congresso, realmente não me convenço de que vivemos num país laico), pensei o seguinte:

Até onde eu sei, os religiosos, independente de religião, condenam qualquer tipo de aborto, inclusive em gravidez decorrente de estupro, permitido pela legislação. Portanto, apesar de não concordar com sua visão, há coerência deles no debate, já que são contra a regulamentação do aborto em caso de anencefalia do feto. Porém, a legislação (o Código Penal) permite o aborto em dois casos: a) no já citado caso de estupro; b) se necessário para preservação da vida da gestante:

Art. 128 – Não se pune o aborto praticado por médico:

I – se não há outro meio de salvar a vida da gestante;

II – se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.

O que me intriga nisso tudo é que, em caso de estupro, as condições do feto não são levadas em questão, mas, sim, a vontade da gestante. Logo, a meu entender, no inciso II é levado em conta a “saúde mental”, digamos, da gestante, de não ser obrigada a conviver com algo que surgiu de tanta dor e bla bla bla.

Já no caso de anencefalia do feto, de acordo com a maioria dos médicos, a criança não passa muito tempo viva, ou seja, é certeza de morte. Logo, acho que deveria ser natural que em uma legislação que permite o aborto de um feto saudável, desde que o meio tenha sido o estupro, permitisse o aborto de um feto que não conseguirá sobreviver ao nascimento, ou ao menos não durante muitos anos de vida, para preservar a integridade mental da mulher.

Não imagino como deva ser a dor de uma mulher carregar no ventre por nove meses um feto que já sabe que vai morrer. Eu logo penso em situações corriqueiras, as pessoas perguntando quando nasce, se já tem nome, se é menino ou menina, e como tudo isso fica na cabeça da mulher.

E, caso seja regulamentado, vai ser um opcional, e não uma regra. Se houver alguma mulher que não queira fazer o aborto, que mesmo sabendo que seu feto tem anencefalia quer levar a gravidez adiante, ela nada precisará fazer. A regulamenteção virá para dar uma opção à mulher, e não para criar uma regra.


O fim do papel?

Discussão velha, mas que sempre vai reaparecer. Sinceramente, acho que é perda de tempo discutir se o papel será substituído pelo computador, pois não será a discussão que ocasionará nesta substituição ou não. Perda de tempo ainda maior é discutir se é melhor ler no computador ou em papel. Cada um tem sua opinião, e o máximo que se pode fazer é cada um expor a sua e pronto, mais do que isso é desnecessário, pode vir a gerar atritos e opiniões inflamadas. É questão de preferência e ponto final. Se o meio “informático” substituir o papel, isso acontecerá independente do que é e do que será discutido, já que vai ser uma substituição gradual e, provavelmente, imperceptível.

Agora, discutir se vale a pena publicar em papel — livro, jornal, etc. — já são outros quinhentos. Acho uma discussão válida, pois traz outros elementos ao debate, como distribuição, preço, e, também, preferência pessoal — sim, ela sempre vai estar presente. Pessoalmente, não gosto de ler textos longos diretamente no monitor. Caso encontre algo interessante, mas longo, dou um jeito de imprimir para ler em papel. Não é birra, apenas não acho confortável ler no monitor.

Entrando num ponto de vista histórico-surreal, será que houve essa polêmica quando o papiro começou a ser utilizado? Imagino essa discussão ocorrendo no Antigo Egito, sobre a substituição das placas de argila pelo papiro:
— Essa coisa aí rasga, pega fogo. Já viu isso acontecer com argila?
— É, mas se ela cair, quebra. Papiro é maleável, leve e mais fácil de escrever.
— Mas de que adianta? Só os mais favorecidos têm acesso.

Da mesma forma, quando foi inventada a prensa móvel, será que aconteceram muitas greves por parte do “sindicato dos copistas“?


Três tipos de pessoas

Tira de quadrinho retirada do site Pagando o pato, do cartunista Joatan Preis Dutra:

3tipospessoasDeixando a comédia de lado, percebi que existem muitas pessoas que fazem parte da terceira categoria.


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.